ARTIGOS

19/12/2019

A COMIDA DE HOJE E A DO FUTURO

Guia - Hotéis - Convenções

 

  Aqui, o começo é pelo fim. E ele, sim, é alarmante: se não houver uma reconexão, não teremos comida no futuro. Ou melhor, teremos: “uma comida ruim, difícil de engolir”, como diz o espirituoso Hans Eberhard Aichinger, gerente na área de turismo e produção de Alimentos e Bebidas do Senac MG. Apesar do tom descontraído, ele fala muito sério. Assim como o Chef e empreendedor Marcos Livi, um dos sujeitos mais reflexivos e ativos do cenário gastronômico, quando o assunto é apresentar projetos inusitados – que fazem o maior sucesso. “É preciso entender e rever o papel da indústria. Por que diabos ela ainda usa aditivos alimentares?”.

 

 

  A resposta simples vem da necessidade de atender o consumo em massa e de um suposto controle de custos, para que o produto final tenha preço acessível para todas as camadas da população. Com o olhar mais afiado, no entanto, sabemos que se trata fundamentalmente de uma escolha para agilizar o processo de produção, produzir mais, com baixo custo e, ora bolas, aumentar drasticamente a margem de lucro. Afinal, é isso o que o pensamento capitalista voraz prega, não é mesmo? O economista Valter Palmieri Jr, professor na admirada Fundação Getúlio Vargas, faz mais uma pergunta: “Nós realmente escolhemos o que comemos?”. A publicidade que movimenta massas responde a essa questão, num momento em que muita coisa industrializada é vendida como se não fosse, com artimanhas como o “sabor caseiro”.

 

 

  Determinados símbolos entram na esfera cultural e fazem muito efeito no poder de convencimento na hora da compra. Até aí, tudo bem. Mas não é possível ser mais responsável nesse processo? Este é um caminho irreversível para o futuro, num momento em que já há constatação de que as demasiadas regras e conceitos com os quais vivemos são um grande gerador de ansiedade. E também quando surge a pergunta: para quem você quer dar o seu dinheiro? Diante dessa cadeia, na qual vemos tantos pontos equivocados, o mundo todo mergulha de cabeça na questão urgente sobre a diminuição do consumo de carne.

 

 

  Grande parte da produção agrícola do planeta é dedicada a produtos que alimentam os animais de corte que, por sua vez, alimentam uma parte restrita da população, enquanto outra morre de fome. De volta a indústria, ela novamente vende o que não é, com cara do que é – considerando o consumo de massa. Afinal, ele precisa de uma mensagem simples e objetiva para funcionar. E, de fato, a confusão ajuda, no prato, na introdução de um novo pensamento que precisa mudar. Quem sabe, no entanto, muito mais gente, um dia, entenda que um ótimo hambúrguer também pode ser feito com grão de bico e beterraba (que o deixa vermelhinho), cogumelos, lentilha, batata doce e até feijão preto.

 

 Fonte : Robert Halfoun