BRASILEIRA CONSEGUIU SAIR DE UM RELACIONAMENTO ABUSIVO VIAJANDO PELO MUNDO

03/03/2021

UMA HOMENAGEM AO MÊS INTERNACIONAL DA MULHER

 

  Daqui uns dias celebra-se o Dia Internacional da Mulher (8 de março), uma data que foi criada para lembrar da importância da luta pelos direitos das mulheres. Apesar disso, elas ainda têm de conviver com salários menores para as mesmas funções, jornada dupla de trabalho, entre tantas outras injustiças. 

 

  Para piorar, estamos vivendo os efeitos de uma pandemia que completa um ano este mês e que, desde o início, se tornou difícil para muitas pessoas, principalmente para aquelas que possuem um namoro ou casamento conturbado. Os relacionamentos abusivos não são nenhuma novidade, mas durante todo esse período em casa, eles se tornaram mais propensos a acontecer.

 

  A advogada e palestrante Silvinha Mantovani pode falar desse assunto com propriedade. Quando tinha 36 anos e morando em Barcelona, se descobriu presa em um relacionamento cheio de proibições, insultos e ameaças de morte. 

 

  Ela entrou nas estatísticas da Organização Mundial da Saúde Mulheres que mostra que, até 2019, 243 milhões de mulheres sofreram violência física, sexual ou psicológica por um parceiro íntimo. O Brasil é o 5° no ranking de feminicídio, três em cada cinco mulheres sofrem, sofreram ou sofrerão de relacionamentos assim, e segundo esse mesmo órgão esses casos aumentaram em 50% durante a pandemia.

 

 

UMA VIDA QUASE DESTRUÍDA

 

  Silvinha superou uma infância pobre no interior do Paraná, um pai alcoólatra, a violência doméstica e a falta de perspectiva com muito trabalho e estudo.

  Conseguiu se formar em Direito, realizar o sonho de morar fora do país, fazer mestrado na Espanha e ter uma carreira de sucesso. 

 

  Contudo, essa trajetória pouco a pouco foi se desmoronando por conta de um relacionamento abusivo que viveu por quatro anos. Ela conta que tentou a separação por dois anos e meio, mas que era impossível sair daquela relação. 

 

  “No começo meu ex-marido fingiu aceitar, só que quando ele percebeu que eu realmente iria embora, minha vida se transformou em um inferno. Saí de casa com praticamente apenas a roupa do corpo. Passei semanas morando de favor na residência de amigos. Precisei da ajuda de muita gente para sair daquela situação, mas consegui”, explica a advogada.

 

 

VIDA SALVA POR UM PASSAPORTE

 

  Nesse período, Silvinha resolveu mudar de vida. Ela teve que fugir do cara – sim, fugir! – e decidiu que era hora de voltar a ter controle sobre a própria vida: largou tudo (emprego, família, país) e se mandou atrás do seu sonho!

 

  Aproveitou o período entre seus 36 e 40 anos para pôr em prática um projeto bem audacioso: visitar 40 países antes dos 40 anos. Ela juntava dinheiro trabalhando como babá, faxineira e até mesmo descarregando caixas de legumes. Começou na Itália e passou pela Irlanda, Marrocos, Turquia, República Checa, Emirados Árabes, Hungria, Áustria, Estados Unidos, Tailândia, Índia… e segue contando! 

 

  Hoje, aos 42 anos, já são 59 países visitados. “É como sempre digo: no fundo do meu poço tinha um passaporte, e esse passaporte salvou minha vida", enfatiza. 

 

  Com as feridas cicatrizadas, Silvinha decidiu transformar sua vida em livro. Em 2019  reuniu o investimento necessário para lançar sua obra através de uma vaquinha online. Em 2021, o livro 40 antes dos 40 - Um Passaporte Salvou Minha Vida, já vendeu mais de 5 mil exemplares e foi traduzido para o inglês e espanhol com o objetivo de ajudar outras mulheres que possam estar passando pelo que ela passou.

 

  Além disso, acumula mais de 160.000 seguidores apenas em seu Instagram @40antesdos40, onde compartilha experiências e dicas de viagem, além de refletir sobre questões de gênero para a mulher viajante.

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