A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o Carnaval de 2026 projeta uma movimentação financeira recorde de R$ 14,48 bilhões em todo o País. O volume representa crescimento real de 3,8% em relação ao feriado do ano passado, já descontada a inflação, e reflete um cenário de otimismo no setor, impulsionado pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros e pela estabilização dos preços de serviços essenciais.
Segundo a CNC, o faturamento do turismo brasileiro já supera em 13% o patamar registrado em fevereiro de 2020, antes da pandemia. Para o próximo carnaval, bares e restaurantes devem liderar a geração de receitas, com previsão de R$ 5,77 bilhões. Em seguida aparecem os segmentos de transporte rodoviário e aéreo, com R$ 3,73 bilhões, e a hotelaria, com R$ 1,44 bilhão. Juntos, esses três setores respondem por mais de 74% da receita total esperada durante o período.
“O desempenho positivo também está diretamente ligado ao turismo internacional. A CNC estima que 1,42 milhão de visitantes estrangeiros entrem no Brasil em fevereiro de 2026, crescimento de 4% na comparação com o carnaval de 2025”, comenta Alexandre Sampaio presidente da FBHA e diretor do Cetur - CNC. “O avanço acompanha o desempenho de 2025, quando o País recebeu 9,3 milhões de turistas entre janeiro e outubro, um aumento de 37,1% frente ao ano anterior, com destaque para visitantes da Argentina, Chile e Estados Unidos”, complementa o executivo.
No mercado interno, a conjuntura econômica favorece o consumo. A desaceleração da inflação, medida pelo IPCA, que passou de 4,9% em 2024 para 4,5% em 2025, contribui para ampliar o poder de compra dos consumidores. Somam-se a isso o cenário de pleno emprego e a melhora gradual da renda, fatores que estimulam os gastos com lazer, alimentação fora do lar e viagens durante o feriado.
“O aquecimento da atividade turística deve impactar diretamente o mercado de trabalho. A CNC projeta a abertura de 39,2 mil vagas temporárias no período, com destaque para bares e restaurantes, responsáveis por 27,9 mil postos; enquanto hotéis e pousadas devem contratar cerca de 4,1 mil trabalhadores”, destaca Alexandre Sampaio.
Apesar do aumento das contratações, a taxa de efetivação tende a ser menor. A estimativa para 2026 é de que apenas 11% dos temporários sejam efetivados após o carnaval, abaixo dos 16% registrados no ano anterior. Para a CNC, o dado indica um processo de estabilização do mercado de trabalho no turismo, após o ciclo mais intenso de recomposição de empregos observado nos anos seguintes à crise sanitária.
