A Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), entidade que representa mais de 60 sindicatos patronais do País e tem mais de 70 anos de atuação, manifesta preocupação com o anúncio da Booking.com sobre a implementação de uma nova taxa de comissão preferencial de 18% para hotéis brasileiros, prevista para entrar em vigor a partir de julho de 2026. A medida, comunicada recentemente aos parceiros comerciais da plataforma, acende um alerta em todo o setor hoteleiro, especialmente entre pequenos e médios empreendimentos que dependem fortemente das OTAs para comercialização de diárias e manutenção de sua ocupação.
A FBHA reconhece a importância estratégica da Booking.com para a promoção da hotelaria nacional e destaca o papel relevante da plataforma na conexão dos hotéis brasileiros com o mercado internacional. Justamente por esse histórico de parceria e cooperação, defendemos que qualquer alteração de impacto econômico significativo seja construída de forma dialogada, transparente e alinhada à realidade operacional do setor.
Entendemos que a hotelaria brasileira atravessa um período de forte pressão sobre custos e margens operacionais. Além da volatilidade do mercado global de viagens e do aumento das tarifas aéreas provocado por conflitos geopolíticos, os empreendimentos enfrentam os desafios da implementação da Reforma Tributária, da futura incidência do IVA e das discussões sobre redução da jornada de trabalho, fatores que podem elevar significativamente os custos das empresas nos próximos anos.
Outro ponto considerado crítico é o curto prazo para adaptação. Grande parte dos hotéis já concluiu seus planejamentos financeiros e orçamentários de 2026 junto a investidores e operadores. Para a FBHA, a inclusão de uma nova linha de custo em meio ao exercício fiscal compromete a previsibilidade financeira e dificulta o equilíbrio das operações, sobretudo em um segmento que tradicionalmente trabalha com margens estreitas e alta sazonalidade.
Demonstramos especial preocupação com a hotelaria independente e de menor porte. Muitos desses estabelecimentos concentram grande parte de suas vendas em plataformas digitais e possuem pouca capacidade de absorver aumentos abruptos nas despesas de distribuição. Em alguns casos, a dependência das OTAs chega a representar praticamente a totalidade das reservas, tornando a situação ainda mais delicada para os empreendedores.
Diante desse cenário, a FBHA apoia a abertura de um fórum permanente de diálogo entre as entidades representativas da hotelaria e a Booking.com, buscando uma solução equilibrada para ambas as partes. Entre as propostas defendidas pelo setor estão a postergação da vigência das novas taxas para janeiro de 2027, permitindo adequação orçamentária, além da revisão dos índices propostos, de forma a preservar a sustentabilidade financeira dos hotéis sem comprometer os investimentos e a competitividade da plataforma.
A FBHA reforça que acredita na construção de relações duradouras e sustentáveis entre a hotelaria e seus parceiros comerciais. Para a entidade, o fortalecimento do turismo brasileiro depende de um ambiente de cooperação, previsibilidade e equilíbrio econômico, capaz de garantir competitividade, geração de empregos e desenvolvimento para toda a cadeia produtiva da hospedagem no País.
