Pilotos e comissários podem entrar em estado de greve no Brasil diante do avanço de propostas consideradas críticas pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Segundo a entidade, a mobilização ocorre por causa da falta de avanço na regulamentação da aposentadoria especial da categoria, da revisão do RBAC 117 — que trata de jornada e fadiga — e de projetos sobre abertura da cabotagem aérea a empresas estrangeiras. O sindicato afirma que a ausência de regras para aposentadoria especial ignora fatores como exposição à radiação cósmica, mudanças frequentes de fuso horário, fadiga acumulada e baixa pressão atmosférica. Outro ponto de preocupação é o projeto que permite a operação de voos domésticos por empresas e tripulações estrangeiras. Para o SNA, a medida pode gerar desequilíbrio concorrencial e impactos na segurança operacional.
A entidade também criticou possíveis mudanças no RBAC 117 sem negociação coletiva, alegando risco de ampliação de jornadas fatigantes. Nos últimos dias, pilotos e comissários receberam apoio de entidades internacionais, como a Federação Internacional de Pilotos de Linha Aérea (Ifalpa), ao manifesto “Pelo Direito de Voar com Segurança – Contra o Colapso do Sistema Aéreo Brasileiro”, que já soma mais de 7,2 mil assinaturas. O SNA informou ainda que segue em negociação com parlamentares, governo e companhias aéreas. Sem avanços concretos, a categoria avalia ampliar as mobilizações, incluindo a decretação de estado de greve.